Por: Sportclick News em Últimas Notícias • 05/02/2026


A 100ª edição da Corrida Internacional de São Silvestre entregou tudo aquilo que faz dessa prova um ritual do atletismo. Na manhã de 31 de dezembro, São Paulo virou pista, palco e teste final de resistência para cerca de 55 mil corredores.

Na elite masculina, a vitória veio decidida no detalhe. Depois de quase 15 quilômetros de estratégia, controle e desgaste, Muse Gizachew, da Etiópia, mostrou força nos metros finais e cruzou a Avenida Paulista à frente de Jonathan Kipkoech, do Quênia. Foram apenas quatro segundos separando os dois, num desfecho que lembrou por que a São Silvestre nunca se decide antes da última curva. O brasileiro Fábio Jesus completou o pódio, sustentando o ritmo até o fim.

Entre as mulheres, a prova teve domínio do início ao fim. Sisilia Ginoka Panga, da Tanzânia, correu sozinha na frente, impôs seu ritmo e quebrou a sequência de vitórias quenianas. Exausta após a chegada, precisou de atendimento médico, imagem que resume bem o que é vencer a São Silvestre: cruzar a linha sem guardar nada. A queniana Cynthia Chemweno ficou em segundo, e a brasileira Núbia de Oliveira voltou ao pódio pelo segundo ano seguido.

Além das disputas, a edição centenária também reforçou o peso histórico da prova. A São Silvestre segue sendo território difícil para os brasileiros: a última vitória nacional ainda é a de Marílson Gomes dos Santos, em 2005, no masculino, e de Lucélia Peres, em 2006, no feminino. Desde então, o domínio africano virou regra.

Com clima ameno, perto dos 23 graus, o percurso clássico voltou a cumprir seu papel. Paulista, Pacaembu, República — cada trecho cobra algo diferente do corpo e da cabeça. Para quem correu, foi mais que uma prova. Foi fechar o ano no limite e começar o próximo com a certeza de que ainda dá para ir além.

A São Silvestre não é só sobre quem vence. É sobre quem chega. E, aos 100 anos, ela segue cumprindo exatamente esse papel.

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